A Arquidiocese de Campo Grande realizará, no dia 20 de outubro, às 18h, a sessão de abertura do inquérito diocesano da causa de beatificação do Padre João Crippa. A cerimônia acontecerá no salão da Paróquia São José e será seguida por uma missa em ação de graças, às 19h, na igreja onde estão os restos mortais do missionário salesiano.
O inquérito reunirá documentos, depoimentos e informações sobre a vida, as virtudes e a fama de santidade do sacerdote, além de relatos de graças atribuídas à sua intercessão. A abertura formal representa uma etapa do processo que poderá levar à beatificação e, posteriormente, à canonização.
Segundo a Arquidiocese, esta é a primeira vez que a instituição passa a ter um Servo de Deus. A instauração do inquérito foi autorizada pelo Dicastério para as Causas dos Santos, no Vaticano, por meio do documento chamado Nihil Obstat, expressão que significa “nada obsta”. Assinado pelo cardeal Marcello Semeraro, o documento informa que não foram identificados impedimentos preliminares ao prosseguimento da causa.
Os trabalhos relacionados ao processo começaram há cerca de três anos, com uma comissão constituída pelo arcebispo metropolitano de Campo Grande, Dom Dimas Lara Barbosa. A preparação envolveu representantes da Igreja, da Missão Salesiana e pesquisadores, além de trâmites junto à Diocese de Três Lagoas, onde o sacerdote morreu e foi inicialmente sepultado, e ao Regional Oeste 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.
A causa tem como vice-postuladores o pároco da Paróquia São José, Padre Paulo Roberto de Oliveira, e o pesquisador e biógrafo Fábio do Vale. Em Roma, a atuação é conduzida pelo postulador italiano Paolo Vilotta, que trabalhou na causa de canonização de Santa Dulce dos Pobres.
Nascido na Itália, Padre João Crippa conviveu pessoalmente com Dom Bosco antes de iniciar sua missão na América do Sul, conforme informa a nota da Arquidiocese. Após passar pelo Uruguai, chegou ao então Estado de Mato Grosso e teve participação no desenvolvimento educacional, assistencial e religioso de Campo Grande.
Entre as iniciativas associadas ao missionário estão a fundação do Colégio Salesiano Nossa Senhora Auxiliadora, que completa cem anos em 2026, e a mobilização de recursos e benfeitores para a construção do Colégio Salesiano Dom Bosco.
O sacerdote também teve atuação na organização da Santa Casa de Campo Grande como associação e desenvolveu ações de apoio a indígenas, pessoas em situação de vulnerabilidade e detentos. Na área religiosa, fundou a Paróquia São José e o Oratório São José. Segundo a Arquidiocese, sua contribuição para a cidade faz com que seja considerado por historiadores um dos cofundadores da capital.
Padre João Crippa morreu em Três Lagoas, em 1941. Dez anos depois, seus restos mortais foram transferidos para Campo Grande, atendendo ao pedido da comunidade. Atualmente, estão na Igreja São José, na esquina das ruas Pedro Celestino e Dom Aquino, no Centro.
O missionário também dá nome à antiga Rua da Constituição, rebatizada como Rua Padre João Crippa pelo então prefeito Ari Coelho. Ao redor de seu túmulo, fiéis depositam cartas e relatos de graças que atribuem à sua intercessão. Fábio do Vale prepara uma publicação sobre a trajetória e as obras do sacerdote.
A sessão solene do dia 20 está prevista para ocorrer das 18h às 18h40, com a presença de Dom Dimas Lara Barbosa e do postulador Paolo Vilotta. A missa das 19h será presidida pelo arcebispo, com participação de Dom André Alves dos Santos, monge beneditino e presidente da Academia Brasileira de Hagiologia, e de integrantes do clero.
A programação será aberta à comunidade, na Paróquia São José, localizada na Rua Pedro Celestino, 1446. Conforme a Arquidiocese, a imprensa credenciada poderá acompanhar a sessão e a celebração, enquanto grande parte dos depoimentos e documentos da instrução do inquérito tramitará sob sigilo processual.










