O mercado do boi gordo começou setembro com sinais de recuperação em diferentes regiões do País. A oferta controlada de animais prontos para o abate, somada à maior resistência dos pecuaristas nas negociações, levou frigoríficos a elevar as propostas de compra em algumas das principais praças pecuárias brasileiras.
Levantamento da Agrifatto aponta que, na quarta-feira (2), houve valorização da arroba em seis Estados: São Paulo, Alagoas, Goiás, Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina. Nas outras 11 regiões acompanhadas pela consultoria, os preços permaneceram estáveis.
Em São Paulo, o boi gordo, com ou sem padrão exigido pelo mercado chinês, chegou a R$ 350 por arroba, considerando pagamento a prazo. Nas demais 16 praças monitoradas, a cotação média ficou em R$ 343,40 por arroba.
Os números variam conforme a metodologia utilizada pelas consultorias. Pesquisa da Scot Consultoria indicava o boi gordo paulista negociado a R$ 345 por arroba, também a prazo, sem pagamento adicional para animais enquadrados no chamado padrão-China.
Oferta menor sustenta expectativa de alta
O início de setembro também trouxe perspectivas mais positivas para os pecuaristas em relação ao desempenho do mercado durante o último quadrimestre de 2026.
Depois da pressão registrada sobre as cotações em agosto, a combinação entre menor disponibilidade de animais e demanda das indústrias começa a favorecer uma reação nos preços.
Um dos fatores que ajudam a explicar esse movimento é o avanço da entressafra. Tradicionalmente, o período reduz a oferta de bovinos terminados exclusivamente a pasto e aumenta a dificuldade dos frigoríficos para completar as escalas de abate.
Apesar da melhora nas propostas de compra, o volume negociado nos últimos dias ainda não permitiu que as indústrias alongassem significativamente suas programações. Na média nacional, as escalas continuam próximas de sete dias de abate.
Esse cenário tende a aumentar a disputa por animais caso a oferta permaneça limitada nas próximas semanas.
Mercado futuro aponta valorização
Os contratos futuros negociados na B3 também indicam expectativa de preços mais elevados para o restante do ano.
Embora os vencimentos de curto prazo tenham registrado pequena queda no pregão de terça-feira (1º), as cotações continuaram acima das referências observadas no mercado físico.
O contrato com vencimento em setembro de 2026 encerrou a sessão negociado a R$ 356,30 por arroba.
Já os contratos referentes aos últimos três meses do ano apresentaram diferença positiva ainda maior em relação ao mercado disponível, refletindo a aposta de investidores e agentes da cadeia produtiva em uma oferta mais apertada de animais terminados.
A expectativa é de que a menor disponibilidade de gado para abate durante a entressafra possa dar sustentação às cotações, embora o mercado continue sujeito a oscilações diárias relacionadas à demanda dos frigoríficos, exportações e disponibilidade regional de animais.









