O mercado do boi gordo encerrou a última semana com valorização em importantes regiões produtoras do País. Em Mato Grosso do Sul, a arroba negociada a prazo em Dourados chegou a R$ 345, alta de 2,99% em relação aos R$ 335 registrados no fechamento da semana anterior.
O movimento ocorre em meio a uma diferença significativa entre os preços do mercado físico e os contratos futuros. Para o analista Fernando Iglesias, da Safras & Mercado, o cenário indica expectativa de fortalecimento da demanda no último trimestre do ano.
A diferença entre a cotação do mercado disponível em setembro e os contratos futuros para outubro chegou a superar R$ 20 por arroba. A tendência, segundo a análise, é de uma aproximação desses valores nas próximas semanas.
Apesar de grandes frigoríficos trabalharem com escalas de abate mais confortáveis, favorecidos por animais de parceria e confinamentos próprios, unidades menores encontram mais dificuldades para preencher suas programações e acabam pagando valores mais elevados.
Em São Paulo, por exemplo, foram registrados negócios pontuais de até R$ 360 por arroba, embora a média estadual tenha permanecido entre R$ 350 e R$ 355.
Expectativa de valorização
Entre os fatores que podem pressionar as cotações para cima nos próximos meses estão a expectativa de retomada da cota de exportações para a China a partir de outubro, o aumento dos embarques aos Estados Unidos e o fortalecimento do consumo doméstico no fim do ano.
No mercado paulista, a arroba chegou a R$ 355 no dia 17 de setembro, avanço de 4,41% na semana. Em Goiânia, a cotação ficou em R$ 340, alta de 3,03%.
Uberaba, em Minas Gerais, registrou estabilidade em R$ 335, enquanto Cuiabá permaneceu em R$ 330. Em Vilhena, Rondônia, o preço avançou 0,60%, para R$ 335.
Carne também fica mais cara no atacado
O mercado atacadista também apresentou valorização. O quarto traseiro bovino chegou a R$ 27,50 o quilo, alta de 3,77% na semana, enquanto o quarto dianteiro passou para R$ 19,50, avanço de 2,63%.
Apesar disso, a expectativa é de desaceleração do consumo na segunda metade do mês. A concorrência com carne suína e de frango, geralmente mais acessíveis ao consumidor, pode limitar novas altas da carne bovina diante do menor poder de compra das famílias.
Exportações
Nos primeiros oito dias úteis de setembro, as exportações brasileiras de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada movimentaram US$ 495,05 milhões, com média diária de US$ 61,88 milhões.
O País embarcou 79,71 mil toneladas no período, equivalente a uma média diária de 9,96 mil toneladas. O preço médio ficou em US$ 6.210,50 por tonelada.
Na comparação com setembro de 2025, o valor médio diário das exportações caiu 23% e o volume diário recuou 30,3%. Em contrapartida, o preço médio da tonelada exportada avançou 10,5%.









