O mercado do boi gordo pode iniciar setembro com perspectivas mais favoráveis para os pecuaristas. Uma combinação de menor oferta de animais, aumento da procura dos frigoríficos e novas oportunidades no mercado internacional tende a criar condições para uma valorização mais consistente da arroba.
Na avaliação do coordenador da equipe de inteligência de mercado da Scot Consultoria, Felipe Fabbri, pelo menos quatro fatores devem influenciar positivamente os preços ao longo do mês.
Um dos principais movimentos deve partir dos frigoríficos, que tendem a intensificar a compra de bovinos jovens, principalmente na segunda quinzena de setembro. A estratégia está relacionada à formação de estoques para atender a cota de exportação de carne bovina para a China em 2027.
Outro fator está relacionado à própria oferta de animais. Entre setembro e dezembro, período marcado pelo início e avanço da estação de monta, historicamente ocorre redução da participação de fêmeas nos abates em relação aos meses anteriores.
Com menos animais disponíveis para os frigoríficos, a tendência é de maior disputa pelas boiadas terminadas, principalmente diante da demanda do setor exportador.
O terceiro elemento de sustentação vem dos Estados Unidos. A decisão do governo norte-americano de permitir a entrada de até 300 mil toneladas adicionais de carne bovina com tarifa reduzida ou zerada abre espaço para maior participação brasileira.
Segundo Fabbri, a medida cria um componente adicional de valorização da arroba, principalmente porque terá validade de 90 dias e alcançará praticamente todo o restante de 2026.
O mercado doméstico também poderá contribuir. A movimentação financeira relacionada ao período eleitoral e a circulação de recursos durante as campanhas são apontadas como fatores capazes de aquecer setores da economia e, consequentemente, favorecer o consumo de carne bovina.
Arroba chega a R$ 340 em Mato Grosso do Sul
Apesar das expectativas positivas para setembro, o mercado encerrou agosto com estabilidade ou recuo das cotações em importantes praças pecuárias.
Em Dourados, Mato Grosso do Sul, a arroba do boi gordo estava cotada a R$ 340 no dia 27 de agosto, sem alteração em relação ao fechamento da semana anterior.
Em São Paulo, o valor também era de R$ 340, mas representava queda de 4,23% diante dos R$ 355 registrados anteriormente.
Em Goiânia, a arroba estava em R$ 330, retração de 1,49%. Em Uberaba, Minas Gerais, o preço permanecia estável em R$ 335.
Em Cuiabá, Mato Grosso, a cotação caiu de R$ 340 para R$ 335, enquanto em Vilhena, Rondônia, houve redução de R$ 338 para R$ 333.
Atacado ainda enfrenta pressão
Enquanto as perspectivas para o mercado pecuário melhoram, o atacado de carne bovina apresentou preços enfraquecidos ao longo da última semana de agosto, com possibilidade de novas quedas no curto prazo.
A demanda continua mais fraca, ao mesmo tempo em que outras proteínas mantêm forte competitividade. A elevada disponibilidade de carne suína, frango e ovos aumenta a concorrência nas decisões de compra dos consumidores.
O quarto dianteiro bovino chegou a R$ 20 por quilo, redução de 4,76% em relação aos R$ 21 praticados na semana anterior.
Já o quarto traseiro passou de R$ 27 para R$ 26 por quilo, recuo de 3,70%.
Exportações movimentam US$ 873 milhões em agosto
As exportações brasileiras de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada movimentaram US$ 873,58 milhões nos primeiros 15 dias úteis de agosto, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
No período, a média diária de receita chegou a US$ 58,23 milhões.
O Brasil embarcou 141,07 mil toneladas, o equivalente a uma média de 9,4 mil toneladas por dia. O preço médio recebido pela tonelada ficou em US$ 6.192,50.
Na comparação com agosto de 2025, a receita média diária recuou 18,6%, enquanto o volume médio diário exportado caiu 26,4%. Em contrapartida, o preço médio da tonelada avançou 10,6%.
Com a perspectiva de ampliação das vendas externas e menor disponibilidade de animais para abate, setembro começa com sinais de maior sustentação para a arroba, especialmente nas regiões com forte presença da indústria exportadora.








