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Após prisão de Alir Terra, Santa Casa troca comando em meio a suspeitas de desvios milionários

A Santa Casa de Campo Grande empossará nesta quarta-feira (23) Heitor Scheibeler como novo presidente da instituição. Atual vice-presidente, ele já comandava interinamente o maior hospital de Mato Grosso do Sul desde a prisão de Alir Terra Lima, ocorrida em 11 de setembro.

A mudança também alcança a superintendência hospitalar, que passará a ser ocupada pelo cirurgião cardiovascular Luiz Alberto Hiroki Kanamura. O médico já exerceu outras funções na Santa Casa, entre elas as de diretor clínico e superintendente de Gestão Hospitalar.

A troca no comando ocorre em meio aos desdobramentos da Operação Antidotum, deflagrada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul para investigar suspeitas de fraudes e desvios em contratos ligados ao hospital e à operadora Santa Casa Saúde.

Operação afastou integrantes da direção

A Operação Antidotum foi realizada pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco). A ação cumpriu seis mandados de prisão preventiva e 36 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Goiânia (GO).

Além de Alir Terra Lima, foram presos Paulo Guilherme Guttierrez Mariosa, então diretor-adjunto de Finanças; Rinaldo Hakme Romano, ex-diretor financeiro; Alessandro Dias Junqueira, ex-diretor administrativo; Monique Gregório de Oliveira, coordenadora do Serviço de Arquivamento Médico e Estatística; e o empresário Maurício Aparecido Benites.

Uma das frentes da investigação apura possíveis irregularidades em um contrato firmado pela Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande, mantenedora do hospital, para a digitalização de prontuários.

O contrato previa pagamentos de R$ 1,8 milhão por ano durante três anos, totalizando R$ 5,4 milhões. Segundo as investigações, somente no primeiro ano de vigência, os supostos desvios teriam chegado a R$ 1,4 milhão.

Outra linha de apuração envolve contratos da operadora Santa Casa Saúde com empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico. As companhias estavam registradas em um único endereço, mas os investigadores constataram que o imóvel se encontrava desocupado.

Somente em 2025, essas empresas receberam R$ 9,6 milhões da operadora. O prejuízo identificado até o momento seria de pelo menos R$ 3,5 milhões.

As investigações apontam ainda que contratos, pagamentos e prestações de contas teriam sido ocultados de órgãos de controle, incluindo o Conselho Fiscal da Santa Casa e a Controladoria-Geral do Estado. O valor total do possível prejuízo continua sob apuração.

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