A Santa Casa de Campo Grande ganhou mais 30 dias para organizar a continuidade dos serviços de anestesia, mas permanece sob risco de perder a equipe responsável pelos procedimentos. Sem receber desde abril, a Servan Anestesia informou nesta sexta-feira (2) que manterá temporariamente os atendimentos, após pedido do secretário estadual de Saúde, Maurício Simões.
A decisão adia a saída anunciada pela empresa, mas não resolve o impasse financeiro. A cobrança envolve 8.173 anestesias realizadas entre abril e setembro deste ano. Os pagamentos mensais pelo serviço superam R$ 1,1 milhão, enquanto o valor do contrato permanece sob sigilo.
Em nota, a Servan afirmou que espera que o hospital utilize o prazo adicional para planejar a substituição do serviço e providenciar o pagamento dos profissionais. A permanência por mais um mês ocorre em meio à crise que também atinge outros médicos contratados como pessoa jurídica, com remunerações em atraso.
Mesmo após a determinação de intervenção judicial, a Santa Casa continua com dificuldades para pagar profissionais e fornecedores essenciais. A situação compromete a organização dos serviços e mantém a preocupação com a continuidade da assistência à população.
Os débitos com médicos e anestesistas estiveram entre os motivos que levaram à intervenção. A medida também ocorreu após a Operação Antidotum investigar suspeitas de fraudes envolvendo integrantes da diretoria e empresas contratadas pelo hospital. Segundo estimativa do Ministério Público, as irregularidades teriam movimentado R$ 4,9 milhões somente em 2025.
Além de buscar recursos para regularizar os pagamentos, a gestão responsável pela intervenção enfrenta o desafio de ampliar a transparência das contas e reorganizar o funcionamento do maior hospital de Mato Grosso do Sul.
Na decisão, o juiz Eduardo Lacerda Trevisan, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, apontou que a instituição atravessa uma crise prolongada, marcada por desvios, problemas de gestão, corrupção e falta de transparência na prestação de contas.
O magistrado destacou que os efeitos dessa situação alcançam pacientes, trabalhadores e empresas que fornecem insumos e materiais indispensáveis ao atendimento. A extensão do prazo pelos anestesistas dá à Santa Casa mais tempo para buscar uma solução, mas mantém a possibilidade de encerramento dos serviços ao fim dos 30 dias.









