Aluguel de máquinas ganha espaço no campo com contratos ajustados à safra

A busca por preservar o caixa e reduzir o dinheiro imobilizado em equipamentos tem estimulado a locação de máquinas no agronegócio. Pesquisa da Boschi Inteligência de Mercado (BIM³) mostra que 38% das propriedades rurais brasileiras alugam colheitadeiras. No caso dos pulverizadores, a participação chega a 19%, enquanto o aluguel de tratores está presente em 11% das propriedades.

O peso da mecanização nas despesas das fazendas ajuda a explicar o interesse por alternativas à compra. Operações mecânicas e depreciação de máquinas representam cerca de 17% do custo operacional total do produtor.

Para o diretor comercial da RZK Rental, Eduardo Martinatti, a sucessão familiar contribui para mudar a forma como os equipamentos são incorporados às atividades rurais.

“Querer ser o dono da máquina ainda é uma cultura dominante entre os produtores, mas observamos que o pensamento vem mudando, especialmente com a sucessão nas fazendas”, afirma.

Segundo o executivo, os produtores mais jovens tendem a considerar o impacto financeiro da aquisição e as dificuldades de administrar uma frota própria. Com isso, parte desse público prefere direcionar os recursos para outras necessidades da propriedade.

“Para eles, o valor imobilizado e as dificuldades de gerir a própria frota pesam mais. Assim, optam por deixar o caixa livre para investir em estruturas e novas oportunidades.”

A RZK Rental estima crescer 3,5% em 2026 e 10% em 2027. A mudança de comportamento das novas gerações está entre os fatores que sustentam essa expectativa.

Para ampliar a adesão, as locadoras também investem em contratos compatíveis com o calendário de produção e de recebimento das fazendas. Na RZK Rental, as condições de pagamento são ajustadas ao fluxo de receita de cada operação.

“Tentamos entender exatamente as necessidades do cliente para garantir que o serviço não seja um custo para ele nos momentos de baixa na receita na fazenda”, explica Martinatti.

A Armac adota estratégia semelhante, com opções que acompanham a sazonalidade do campo. Conforme o vice-presidente de Locação, Leonardo Suarez, o produtor pode contratar o equipamento durante a safra e devolvê-lo na entressafra. Para trabalhos pontuais, há pacotes de três, sete, 14 ou 21 diárias.

A companhia registrou receita bruta de R$ 586,2 milhões no segundo trimestre de 2026, crescimento de 19,3% na comparação com o mesmo período de 2025.

Embora tenha como principal atividade a locação de máquinas da chamada linha amarela, a Armac mantém presença no agronegócio. Usinas de cana-de-açúcar e de etanol de milho, agroindústrias, empresas de fertilizantes, armazéns, terminais e propriedades rurais utilizam aproximadamente 30% da frota da empresa, composta por mais de 15 mil ativos.

“Na nossa experiência, o cliente que troca a compra pela locação dificilmente volta atrás”, afirma Suarez.

Segundo ele, a avaliação financeira deve considerar, além da parcela do financiamento e do aluguel, os gastos com manutenção, seguro, peças, depreciação e os impactos dos períodos em que a máquina fica parada.

A reforma tributária também é apontada pelo setor como um possível estímulo à atividade, pela possibilidade de aproveitamento de créditos de IBS e CBS. Esse aproveitamento depende do enquadramento do produtor no regime regular e das regras aplicáveis às operações. A inscrição no CNPJ, por si só, não transforma o produtor pessoa física em pessoa jurídica.

Na BrasilAgro, a locação integra a estratégia operacional desde o início das atividades. A companhia, que produz soja, milho, feijão, algodão e cana-de-açúcar, além de atuar na pecuária, combina equipamentos próprios, máquinas alugadas e serviços terceirizados.

O diretor financeiro e de Relações com Investidores, Gustavo Javier Lopez, explica que a frota própria representa a maior parte dos equipamentos. O aluguel funciona como complemento, especialmente nos períodos de renovação das máquinas ou quando a análise do prazo de retorno do investimento indica vantagem nessa modalidade.

“Alugamos tratores de grande porte, com mais de 300 cv, plantadeiras com 30 linhas ou mais e pás-carregadeiras. Também alugamos caminhões de apoio às operações das fazendas, como munck, roll-on/roll-off e baú, além de micro-ônibus para o transporte interno de funcionários”, detalha.

A empresa utiliza contratos com pagamento mensal. Segundo Lopez, embora existam fornecedores que ofereçam a modalidade safra, com vencimento em 30 de abril, as condições de juros tornam essa alternativa menos atrativa para a companhia atualmente.

A escolha entre comprar, alugar ou terceirizar é feita no planejamento de cada atividade, considerando as necessidades da operação e a disponibilidade dos equipamentos.

“No planejamento, avaliamos qual delas atende melhor cada operação. Essa combinação ajuda a reduzir a exposição ao risco de indisponibilidade de frota nos períodos de pico”, afirma.

Para o mercado brasileiro de locação de máquinas e equipamentos como um todo, o relatório Rental Market Report, elaborado pela KPMG em parceria com Analoc e Sobratema, projeta faturamento de R$ 52,9 bilhões em 2026, avanço de 7% sobre 2025.

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