A agroindústria consolidou-se como principal força das exportações industriais de Mato Grosso do Sul em 2026. Entre janeiro e agosto, cadeias ligadas ao agronegócio movimentaram pouco mais de US$ 5 bilhões no mercado externo, o equivalente a aproximadamente 93% dos US$ 5,39 bilhões exportados pela indústria estadual no período.
Os números mostram que a transformação de matérias-primas produzidas no campo tem papel decisivo no comércio exterior sul-mato-grossense. Somente os segmentos de celulose e papel, complexo frigorífico, óleos vegetais e açúcar e álcool responderam por cerca de 91% de toda a receita industrial obtida com exportações nos oito primeiros meses do ano.
O maior destaque foi a indústria de celulose e papel, que alcançou US$ 2,15 bilhões em vendas externas e respondeu por 40% das exportações industriais de Mato Grosso do Sul. As pastas químicas de madeira representaram 99,4% das vendas externas do segmento.
Na sequência aparece o complexo frigorífico, com US$ 1,89 bilhão e participação de 35% no total industrial exportado. As carnes bovinas lideraram a pauta, principalmente os cortes desossados congelados, responsáveis por 60% das vendas do setor, seguidos pelas carnes desossadas refrigeradas, com 17%. Produtos de frango também aparecem entre os principais itens embarcados.
A cadeia da soja também teve participação expressiva. O grupo de óleos vegetais e demais produtos derivados da extração movimentou US$ 580,5 milhões entre janeiro e agosto, representando 11% das exportações industriais estaduais.
Nesse segmento, os bagaços e resíduos resultantes da extração de óleo de soja responderam por 43% das vendas, enquanto o óleo bruto de soja ficou com 24% e as farinhas e pellets derivados do processamento do grão representaram outros 21%.
Outra cadeia importante para a agroindustrialização do Estado foi a de açúcar e álcool, que exportou US$ 272,4 milhões no período, equivalente a 5% do total industrial. Outros açúcares de cana concentraram 77% das vendas do segmento, enquanto o álcool etílico com baixo teor de água respondeu por 14%.
Também integram esse conjunto as indústrias de couros e peles, com US$ 53,9 milhões exportados, e de alimentos e bebidas, com US$ 45,4 milhões.
O desempenho das cadeias agroindustriais contribuiu para que Mato Grosso do Sul atingisse o maior resultado já registrado para os oito primeiros meses do ano. As exportações industriais cresceram 5% em relação ao mesmo período de 2025.
Somente em agosto, os embarques industriais chegaram a US$ 704,4 milhões, crescimento de 3% na comparação com agosto do ano passado e recorde para o mês na série histórica. A indústria respondeu por 72% de tudo o que Mato Grosso do Sul exportou naquele mês e por 66% das exportações estaduais acumuladas no ano.
A China permaneceu como principal destino dos produtos industrializados sul-mato-grossenses, com compras de US$ 1,83 bilhão entre janeiro e agosto. Em seguida aparecem Estados Unidos, com US$ 499,6 milhões, Países Baixos, com US$ 333,4 milhões, e Itália, com US$ 291,9 milhões.
O resultado reforça a crescente participação de produtos processados e industrializados derivados da produção agropecuária e florestal na pauta econômica de Mato Grosso do Sul, especialmente nas cadeias de celulose, proteína animal, soja e cana-de-açúcar.









