A transformação industrial ampliou em 72% o valor da produção agropecuária de Mato Grosso do Sul em 2023. A produção do campo, estimada em R$ 81 bilhões, alcançou R$ 139,6 bilhões após o processamento em frigoríficos, usinas e fábricas, segundo levantamento do Observatório da Indústria da Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul (Fiems).
Os números foram apresentados pelo presidente da entidade, Sérgio Longen, em artigo no qual defende a industrialização como instrumento para ampliar a geração de empregos, renda e riqueza a partir da produção rural.
Conforme os dados citados, a agropecuária representa 26% do Produto Interno Bruto (PIB) sul-mato-grossense. Já a indústria do agro responde por 47% do valor bruto da produção industrial do Estado e emprega 81 mil trabalhadores com carteira assinada.
A participação do segmento também aparece nas exportações. Em 2025, as vendas externas da indústria de Mato Grosso do Sul somaram US$ 7,8 bilhões, crescimento de 14% em relação ao ano anterior. Desse total, 92% tiveram origem na indústria do agro.
A celulose liderou os embarques, com US$ 3,1 bilhões, seguida pelas carnes, que movimentaram US$ 2,4 bilhões, e pelo açúcar, com US$ 783 milhões. A China foi apontada como o principal destino dos produtos.
Entre as cadeias produtivas destacadas por Longen está a do eucalipto, utilizado na fabricação de celulose exportada para 40 países. A cana-de-açúcar e o milho, por sua vez, abastecem uma produção de 5 bilhões de litros de etanol por safra e sustentam 34 mil empregos diretos, conforme as informações apresentadas no artigo.
Na pecuária, o dirigente cita a certificação de carne bovina carbono neutro desenvolvida em Campo Grande, apresentada por ele como a primeira do mundo.
O levantamento também traz uma comparação com São Paulo. Em 2023, o estado registrou R$ 143,8 bilhões em produção agropecuária. Após o processamento industrial, o valor chegou a R$ 431,9 bilhões, uma agregação de aproximadamente 200%.
Para Longen, a integração entre o campo e a indústria envolve tanto o fornecimento de máquinas, insumos, energia e tecnologia quanto o processamento da matéria-prima em produtos destinados aos mercados nacional e internacional.
O presidente da Fiems defende que o Brasil transforme sua presença nos setores de alimentos, proteínas, bioenergia e celulose em uma estratégia industrial de longo prazo. Na avaliação dele, a busca internacional por segurança alimentar, transição energética e produtos de origem sustentável abre espaço para ampliar essa atuação.
“Quando a produção passa pela indústria, o valor fica em empregos, renda e crescimento”, afirma.










