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Edição genética busca ampliar tolerância de bovinos ao calor

Aumentar a tolerância dos bovinos ao calor sem comprometer suas características produtivas é um dos objetivos das pesquisas com edição genética na pecuária. A tecnologia será discutida no primeiro dia do SIMFertCort, na quinta-feira (15 de outubro), no auditório do Sistema Famasul, em uma programação dedicada aos avanços da biotecnologia reprodutiva.

As condições ambientais podem prejudicar o desempenho de raças selecionadas para produzir carne e leite, como a Holandesa, especializada na produção leiteira. Segundo Camargo, o estresse térmico afeta a fertilidade, pode reduzir as taxas de concepção, ampliar o intervalo entre partos e comprometer a produção. Em determinadas situações, também interfere em características relacionadas à qualidade dos produtos de origem animal.

Os efeitos das altas temperaturas não ficam restritos às regiões tropicais. Mesmo em áreas de clima temperado, como parte do Sul do Brasil, o calor durante o verão pode provocar desconforto nos animais.

A proposta da pesquisa é ampliar a capacidade de adaptação dos bovinos, preservando os atributos produtivos desenvolvidos ao longo da seleção das raças.

“É trazer um melhoramento para esses animais, fazer com que eles melhorem sua capacidade de tolerar temperaturas mais elevadas. É claro que não vão ser animais totalmente tolerantes ao calor, mas queremos aumentar essa tolerância em relação ao que apresentam atualmente”, explica Camargo.

As primeiras avaliações identificaram diferenças no comportamento e na resposta térmica dos animais que passaram pela edição genética em comparação com os bovinos sem a alteração. Os resultados, porém, são preliminares e não indicam que os animais editados estejam imunes ao estresse térmico.

A próxima etapa prevê ampliar a população fundadora, produzir uma nova geração e realizar avaliações a campo com um número maior de bovinos.

Células-tronco abrem novas perspectivas

Outra frente de pesquisa investiga o uso de células-tronco embrionárias bovinas, identificadas pela sigla ESC, do inglês embryonic stem cells. De acordo com a pesquisadora Anna Denicol, a obtenção dessas células com características adequadas à manutenção em laboratório é relativamente recente, com avanços importantes a partir de 2018.

Essas células conseguem se renovar por períodos prolongados, o que permite sua manutenção e multiplicação em cultivo. Também apresentam potencial para se transformar em diferentes tipos celulares, características que favorecem sua utilização em pesquisas sobre reprodução.

A autorrenovação permite estudar e manipular as células em laboratório, enquanto a capacidade de diferenciação abre caminhos para obter células especializadas.

Uma das linhas de investigação de Denicol envolve a reprodução in vitro, com a possibilidade de transformar células-tronco em gametas, como óvulos e espermatozoides, para posterior utilização na fertilização.

“Isso depende da diferenciação das células-tronco em óvulos e espermatozóides, que poderiam ser utilizados na fertilização in vitro sem precisar produzir um animal”, comenta a geneticista.

A tecnologia ainda não está disponível para uso em bovinos. Os resultados mais avançados foram obtidos em camundongos, e diferentes grupos científicos trabalham no desenvolvimento de métodos equivalentes para o gado.

Para avançar, os pesquisadores precisam compreender melhor os mecanismos de diferenciação celular e reproduzir as etapas de formação dos gametas.

Programação do simpósio

No SIMFertCort, Camargo apresentará a palestra “Incremento da tolerância ao calor em bovinos via edição gênica”. Denicol abordará “Tecnologias reprodutivas utilizando células-tronco na pecuária bovina: estado da arte e perspectivas”.

A programação da manhã do dia 15 também terá Marcos Vinícius Barbosa, da Embrapa, com o tema “Aspectos genéticos e genômicos da fertilidade de touros”.

Arlindo Moura, da Universidade Federal do Ceará, apresentará “Proteínas, protoformas e metabólitos: o que o atlas molecular do plasma seminal revela sobre a função espermática e potencial reprodutivo de touros”. Simon Lilico, do Roslin Institute, do Reino Unido, falará sobre “Edição Gênica”.

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