O segmento de máquinas agrícolas registrou queda de 22,8% na receita líquida total em agosto, na comparação com o mesmo mês de 2025. Em relação a julho, a retração foi de 1,7%, conforme dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) nesta quarta-feira (30), em São Paulo.
Com o resultado, o setor acumula redução de 22,4% na receita nos oito primeiros meses de 2026. No período de 12 meses encerrado em agosto, a baixa chega a 16,9%.
Segundo a diretora do Departamento de Competitividade Econômica e Estatística da Abimaq, Cristina Zanella, o desempenho reflete o endividamento dos produtores rurais e a influência do câmbio sobre os preços das commodities.
A executiva explicou que a redução do retorno obtido com as vendas externas de produtos agropecuários compromete a capacidade de investimento no campo. Aliada ao custo do financiamento, essa situação restringe a demanda por máquinas agrícolas.
O resultado também pesa sobre o desempenho da indústria de máquinas e equipamentos como um todo. De acordo com Zanella, o segmento agrícola responde por aproximadamente 30% das receitas do setor.
Além dos efeitos sobre a renda dos produtores, o câmbio pressiona o faturamento das próprias fabricantes nas operações internacionais. As exportações representam entre 20% e 25% dos negócios do setor, segundo a diretora.
Mesmo com o crescimento do volume vendido ao exterior, o valor recebido em reais tem sido menor, afirmou a executiva. Esse cenário contribui para a queda da receita, em um período marcado por limitações de crédito e menor capacidade de investimento dos produtores.









