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Prefeitura busca equipe federal para apurar aplicação de recursos na Santa Casa

A Prefeitura de Campo Grande solicitou apoio do Ministério da Saúde para acompanhar as contas e a aplicação dos recursos públicos destinados à Santa Casa. O pedido ocorre após o afastamento judicial da diretoria e a nomeação de Luiz Alberto Kanamura para administrar provisoriamente o hospital por 180 dias.

O secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, anunciou a iniciativa nesta segunda-feira (28), durante a apresentação das contas da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) referentes ao segundo quadrimestre de 2026, na Câmara Municipal.

Segundo Vilela, a mudança na administração pode favorecer o acesso às informações financeiras da instituição e ampliar a fiscalização dos repasses. Uma primeira reunião entre o município, Kanamura e o Ministério Público deve ocorrer nesta semana para discutir os encaminhamentos da gestão provisória.

O secretário relatou que esteve em Brasília com a prefeita Adriane Lopes (PP) e procurou representantes do Departamento de Regulação, Avaliação e Controle (Derac), do Ministério da Saúde. Na ocasião, foi protocolado um documento sobre a situação da Santa Casa. Vilela também buscou apoio do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems).

A solicitação poderá resultar no envio de técnicos federais a Campo Grande para auxiliar na análise das contas. Entretanto, o Ministério da Saúde ainda não confirmou a realização da auditoria nem informou uma possível data para a chegada da equipe.

“Nós cobrávamos a transparência do recurso”, afirmou Vilela ao defender um acompanhamento mais próximo do dinheiro público transferido ao hospital.

Entre as alternativas citadas pelo secretário está a formação de uma comissão com representantes da Prefeitura, do governo estadual e da Santa Casa para acompanhar o custeio dos serviços. A criação do grupo, porém, não foi anunciada, e seu funcionamento ainda não foi detalhado.

Na prestação de contas, a Sesau também apresentou a auditoria especial nº 653, referente à Associação Beneficente Santa Casa, entre os procedimentos de apuração que continuam em andamento.

Repasse para insumos

Vilela informou que espera a disponibilização, até sexta-feira (2), dos R$ 4 milhões anunciados no início de setembro para a compra de insumos hospitalares. Do total, R$ 1 milhão cabe à Prefeitura de Campo Grande e R$ 3 milhões ao Governo do Estado.

Embora o aporte emergencial já tenha sido definido, a expectativa apresentada pelo secretário indica que a liberação ainda era aguardada nesta segunda-feira. Antes disso, deve ocorrer a reunião com o administrador provisório e o Ministério Público.

Cobrança por transparência

A exigência de fiscalização externa das contas da Santa Casa é anterior à troca de comando. Em dezembro de 2025, um acordo emergencial que viabilizou a liberação de recursos já previa auditoria externa, prestação de contas e acompanhamento da utilização do dinheiro.

Em junho deste ano, quando a direção do hospital reivindicou um aumento de R$ 15 milhões mensais nos repasses, Vilela condicionou a discussão ao conhecimento dos custos efetivos dos atendimentos.

Naquele momento, o secretário defendeu que município e Estado tivessem acesso aos números da instituição. A Prefeitura também cobrava o cumprimento das metas contratadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e a realização de uma perícia judicial.

O secretário estadual de Saúde, Maurício Simões, apresentou posição semelhante. Para ele, a análise financeira era necessária para esclarecer os custos operacionais e o déficit alegado pela administração.

Essas discussões integravam uma ação civil pública proposta pelo Ministério Público para buscar uma saída para a crise financeira e garantir a continuidade dos serviços.

Administração provisória

A decisão judicial que afastou a diretoria da entidade mantenedora atribuiu a Kanamura poderes para reorganizar contratos, negociar com fornecedores e adotar medidas urgentes.

O administrador também deverá apresentar relatórios mensais à Justiça com informações sobre a situação administrativa, financeira e operacional do hospital.

A medida impediu a posse de Heitor Rodrigues Freire na presidência da instituição, prevista para segunda-feira (28). Kanamura assumiu a condução administrativa como superintendente, sem ocupar formalmente o cargo de presidente.

A mudança no comando ocorreu em meio à crise financeira e às investigações da Operação Antidotum, que apura suspeitas de irregularidades em contratos e pagamentos da Santa Casa.

Investigação de contratos

Deflagrada em 11 de setembro pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), com participação do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), a Operação Antidotum investiga suspeitas de fraudes e desvios de pelo menos R$ 4,9 milhões.

Uma das frentes envolve um contrato de digitalização de prontuários médicos, com suspeita de pagamentos sem a correspondente execução dos serviços. Outra trata de contratações feitas pela operadora Santa Casa Saúde com empresas pertencentes a um mesmo grupo econômico.

A operação resultou na prisão preventiva de seis pessoas: a então presidente Alir Terra Lima; o diretor financeiro Rinaldo Hakme Romano; o diretor financeiro adjunto Paulo Guilherme Guttierrez Mariosa; o diretor administrativo Alessandro Dias Junqueira; a supervisora do Serviço de Arquivo Médico e Estatística (Same), Monique Gregório de Oliveira; e o empresário Maurício Aparecido Benites, ligado aos serviços de digitalização. Os seis permanecem presos.

Também foram alvos da investigação o advogado Paulo da Cruz Duarte e Beatriz Lemes da Silva, vinculados à operadora Santa Casa Saúde.

As responsabilidades individuais seguem sob apuração, e as defesas dos envolvidos contestam as suspeitas apresentadas pelos investigadores.

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