O uso de drones aliado à análise de dados pode ajudar pecuaristas a determinar com maior precisão o momento adequado para colocar ou retirar os animais de determinada área de pastagem. Segundo o especialista Barbero, a ferramenta transforma as informações coletadas no campo em recomendações para o produtor. “Ela diz para o pecuarista qual é o momento da entrada e qual é o momento da saída”, destaca.
A tecnologia apresenta índice de acerto de 96% na definição do manejo. O sistema consegue identificar diferentes características da vegetação e separar a forragem disponível para consumo dos animais, permitindo calcular de forma mais precisa a lotação adequada para cada área.
As análises também levam em consideração as condições climáticas e o estágio da pastagem, incluindo períodos de seca e fases de transição. Com essas informações, o produtor consegue ajustar o manejo de acordo com a capacidade real de suporte do pasto.
Barbero ressalta que a pastagem é um dos principais ativos da pecuária brasileira, mas ainda existe grande potencial para ampliar a eficiência de utilização. Segundo ele, levantamentos de pesquisa indicam que apenas metade daquilo que é produzido nas pastagens acaba efetivamente aproveitada pelos animais.
“Os dados de pesquisa mostram que nós colhemos somente 50% do que a gente produz”, afirma.
Tecnologia pode ser usada em propriedades de diferentes tamanhos
O sistema foi desenvolvido para funcionar com drones comerciais, o que amplia a possibilidade de utilização em propriedades rurais de diferentes portes. A tecnologia pode ser aplicada tanto em áreas de aproximadamente 20 hectares quanto em fazendas que chegam a 30 mil hectares.
A operação dos equipamentos pode ocorrer de forma autônoma, possibilitando o acompanhamento frequente das condições das pastagens, desde que sejam observadas as normas de segurança e as regras para utilização dos drones.
Além do monitoramento do pasto, os equipamentos podem ser empregados em outras atividades, como pulverização e aplicação de fertilizantes. Entre as vantagens está a redução do pisoteio das áreas cultivadas e a possibilidade de mapear obstáculos existentes no terreno antes das operações.
Uma das propriedades onde a tecnologia está sendo implementada é a Fazenda Tambatajá, em Alta Floresta, Mato Grosso, onde também está sendo estruturado um centro de pesquisa voltado ao desenvolvimento e aperfeiçoamento dessas soluções.
Para Barbero, elevar a eficiência no manejo das pastagens é uma das principais alternativas para melhorar os resultados econômicos da atividade pecuária. Segundo o especialista, boa parte do potencial de aumento da rentabilidade está diretamente ligada ao melhor aproveitamento do pasto.
“O pasto é onde está o nosso gargalo para ter lucratividade dentro da pecuária”, conclui.









