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Novo ciclo de Mato Grosso do Sul mira crescimento que chegue à vida das pessoas

O Plano de Governo 2027–2030 de Eduardo Riedel propõe transformar o crescimento econômico em melhorias perceptíveis no emprego, na renda e nos serviços públicos. Após registrar expansão do PIB, redução da extrema pobreza, investimentos em rodovias, saúde, educação e digitalização, o documento prevê ampliar a regionalização, a qualificação profissional, o saneamento, a infraestrutura, a inclusão social e a capacidade de entrega do Estado em todas as regiões de Mato Grosso do Sul.

Para uma família, desenvolvimento não aparece primeiro em gráficos ou rankings. Ele se torna concreto quando há trabalho e renda, quando a escola oferece melhores condições de aprendizagem, quando um atendimento de saúde pode ser feito mais perto de casa, quando a estrada reduz o isolamento, o saneamento alcança o bairro e um serviço público deixa de exigir horas de espera. É nessa passagem entre o indicador econômico e a rotina das pessoas que o Plano de Governo 2027–2030 proposto pelo governador Eduardo Riedel (Progressistas) situa o próximo ciclo de Mato Grosso do Sul.

Candidato à reeleição, Riedel apresenta o tripé “Crescer, Incluir e Transformar” como a síntese desse projeto. A proposta reconhece que nem tudo foi concluído e projeta uma segunda etapa administrativa voltada a ampliar a escala e a presença territorial das políticas públicas. “A verdadeira transformação só será plena quando pudermos avançar, todos juntos, de mãos dadas, em direção de um novo futuro”, afirma.

O plano organiza essa visão em quatro dimensões: pessoas e desenvolvimento humano; competitividade e futuro; infraestrutura, cidades e sustentabilidade; e governança com transformação digital. O elo entre elas é uma ideia central: o crescimento econômico somente cumpre sua função quando se converte em oportunidades, redução das desigualdades e qualidade de vida.

Crescimento

O balanço dos últimos quatro anos começa pela mudança de escala da economia. O Produto Interno Bruto estadual passou de R$ 91,9 bilhões em 2016 para R$ 184,4 bilhões em 2023. Naquele ano, Mato Grosso do Sul cresceu 13,4%, diante de uma média nacional de 3,2%, alcançando a segunda maior expansão entre os estados e o sexto maior PIB per capita do país. Em 2025, o crescimento foi de 5,3%, ante 2,5% para o Brasil.

A expansão é associada à industrialização ligada ao agronegócio e à atração de investimentos em celulose, bioetanol, proteína animal e logística. Foram mais de R$ 81 bilhões em investimentos privados atraídos desde 2023, mais de 19 mil empregos formais criados no último ano considerado e a realização de mais de 500 mil qualificações profissionais em três anos, além da presença da Funtrab nos 79 municípios.

Na vida cotidiana, essa estratégia aproxima a formação profissional das vagas abertas pelos novos empreendimentos e faz com que a expansão das grandes cadeias produtivas também alcance trabalhadores, fornecedores e empresas locais. O desafio não é apenas atrair capital, mas transformar a competitividade do Estado em aumento de renda e inclusão produtiva.

A dimensão social aparece como o outro lado desse processo. A extrema pobreza caiu de 4% para 1,6% em quatro anos e mais de 40 mil pessoas deixaram as condições mais precárias de vida. A política de assistência é uma combinação de transferência de renda, segurança alimentar, acesso à saúde, permanência escolar, acompanhamento familiar e encaminhamento para oportunidades de trabalho.

A Nova Arquitetura da Saúde articula atenção primária, polos regionais de média complexidade, hospitais de alta complexidade e regulação digital. O Hospital Regional de Mato Grosso do Sul está em processo de ampliação de 362 para 577 leitos por meio de parceria público-privada, enquanto a Telessaúde atua como instrumento para levar consultas especializadas ao interior sem exigir o deslocamento do paciente.

Na educação, uma escola estadual foi reformada ou construída a cada seis dias durante o mandato e a educação profissional chegou aos 79 municípios. Também se destacam a expansão do ensino em tempo integral, a redução da repetência pela metade e as taxas mínimas de abandono escolar. Na gestão pública, mais de 700 serviços digitais e a manutenção da Nota A do Tesouro Nacional por quatro anos consecutivos foram destaques.

A infraestrutura dá materialidade territorial aos últimos anos em MS. Entre 2023 e 2025 foram investidos mais de R$ 2 bilhões em rodovias, com 1.153 quilômetros pavimentados e 517 quilômetros restaurados. No saneamento, a cobertura de coleta e tratamento de esgoto avançou de 56% em 2021 para 77% da população em maio de 2026. “Para quem depende de uma estrada, de água tratada ou de uma rede de esgoto, são obras que aproximam a linguagem do desenvolvimento das necessidades mais elementares”, explica o governador.

Muita coisa

Apesar de todos os resultados destacados, a transformação do Estado não é uma tarefa encerrada. Ao contrário. O acesso pleno à saúde, a superação de atrasos educacionais, a melhoria da qualidade do emprego e a distribuição mais ampla dos benefícios do crescimento continuam entre os desafios a enfrentar. O Plano de Governo de Riedel admite que esses benefícios ainda precisam chegar mais rapidamente à vida de cada sul-mato-grossense.

Essa constatação define o sentido político das propostas para 2027–2030. O próximo ciclo não é uma ruptura, mas a ampliação, consolidação e conclusão de políticas iniciadas. O objetivo é aumentar a capilaridade dos serviços, reduzir desigualdades entre regiões e preparar o Estado para mudanças econômicas, tecnológicas, ambientais e sociais.

Segunda etapa

Na primeira dimensão, voltada às pessoas, o plano propõe integrar proteção social, saúde, educação, segurança, cultura e esporte. Para famílias em situação de pobreza, prevê uma “cesta” articulada de serviços que pode reunir renda, alimentação, habitação, saneamento, acesso prioritário à saúde, escola em tempo integral, creche e qualificação profissional. Entre as metas estão pelo menos 600 novas vagas no MS Supera Mulher, para vítimas de violência, 500 vagas adicionais no Cuidar de Quem Cuida e um programa de emprego apoiado para pessoas com deficiência com no mínimo mil vagas.

Na saúde, a proposta é consolidar a regionalização, ampliar consultas, exames e procedimentos especializados, integrar a regulação estadual e municipal e expandir a saúde digital para todas as regiões. Na educação, Riedel propõe fortalecer a cooperação com os municípios nos primeiros anos escolares, ampliar as políticas de alfabetização e matemática, expandir o tempo integral no ensino fundamental e manter a modernização das escolas.

A segunda dimensão procura ligar competitividade a emprego e renda. O plano prevê atrair novos investimentos, ampliar a participação de fornecedores locais, diversificar a economia, aproximar universidades e empresas e preparar o Estado para a transição da reforma tributária. Entre os compromissos estão a atração de pelo menos dois centros de pesquisa e inovação, a formação de pelo menos cinco mil motoristas nas categorias D e E e de 400 novos desenvolvedores até 2030.

Na terceira frente, infraestrutura e sustentabilidade são tratadas como partes da mesma estratégia territorial. O documento propõe fazer com que mais de 50% das rodovias estaduais sejam pavimentadas e alcançar 6.660 quilômetros de malha pavimentada até 2030. Também prevê universalizar o saneamento, ampliar soluções para comunidades isoladas, fortalecer a habitação por meio do Bônus Moradia e do novo MS Moradia e atingir e demonstrar o status de Estado carbono neutro.

A quarta dimensão se concentra na capacidade de execução. A proposta é integrar planejamento, orçamento, monitoramento e avaliação, digitalizar integralmente os principais serviços, criar um ambiente digital único e uma identidade estadual para o cidadão, ampliar o uso de inteligência artificial e medir a experiência de quem utiliza o serviço público. “A tecnologia, nesse desenho, não aparece apenas como ferramenta administrativa, mas como forma de reduzir distâncias e simplificar o acesso ao Estado”, reflete o governador.

Ao reunir essas frentes, o Plano de Governo de Riedel procura estabelecer uma linha de continuidade entre o crescimento registrado e uma transformação ainda incompleta. O teste do novo ciclo estará menos na quantidade de propostas e mais na capacidade de fazê-las chegar à ponta: ao trabalhador que busca qualificação, à família que precisa de proteção, ao paciente do interior, ao estudante, ao produtor e ao morador que espera infraestrutura básica. É nesse cotidiano, e não apenas nos indicadores, que “crescer, incluir e transformar” ganhará sentido concreto.

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