A inclusão dos bioinsumos no Programa Especial de Sustentabilidade da Indústria Química (Profert) amplia o alcance da política de estímulo à produção nacional de fertilizantes e abre novas possibilidades de investimento para um dos segmentos que mais crescem no agronegócio brasileiro.
Com as novas regras, indústrias de bioinsumos e biofertilizantes passam a ser contempladas entre as empresas que poderão acessar mecanismos de incentivo industrial, financiamento e investimentos. A medida também busca reduzir a dependência brasileira de produtos importados e fortalecer a produção nacional de insumos estratégicos para a agricultura.
Segundo o assessor jurídico da Associação Brasileira das Indústrias de Bioinsumos (Abinbio), Rodrigo Ribeiro de Souza, a aprovação representa um estímulo à indústria nacional e pode favorecer investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação.
“É um incentivo para a indústria brasileira, para que o país deixe de depender de fertilizantes importados, com o estabelecimento de uma política industrial permanente”, afirmou. Segundo ele, a iniciativa também poderá contribuir para o fortalecimento do setor brasileiro de bioinsumos.
A avaliação é de que a inclusão do segmento no Profert vai além de reconhecer os produtos biológicos como complemento aos fertilizantes tradicionais. Na prática, as empresas passam a integrar formalmente uma política industrial voltada ao desenvolvimento da cadeia de insumos agrícolas.
O avanço ocorre em meio à expansão do mercado brasileiro de produtos biológicos. Dados da consultoria DunhamTrimmer International Bio Intelligence indicam que o setor de bioinsumos e biofertilizantes já movimenta mais de US$ 1,5 bilhão no país e poderá superar US$ 3 bilhões até 2030.
Para o vice-presidente de Desenvolvimento de Negócios para a América Latina da consultoria, Ignacio Moyano, o segmento passa por uma transformação estrutural e tende a ganhar ainda mais espaço na agricultura.
“Prevemos que estamos entrando em um processo de mudança significativa, que estabelecerá o segmento de biofertilizantes como um dos mais inovadores e de crescimento mais acelerado da agricultura global”, afirmou.
A expectativa é de que o Profert ajude a acelerar esse movimento, oferecendo condições para que empresas ampliem unidades produtivas, desenvolvam novas tecnologias e aumentem investimentos em pesquisa voltada às necessidades da agricultura brasileira.
O programa também estabelece critérios ambientais e de desenvolvimento local para a concessão dos benefícios. Entre as exigências estão medidas relacionadas à redução das emissões de gases de efeito estufa, fator que pode ampliar a busca por tecnologias agrícolas de menor impacto ambiental.
Mercado mundial também está em expansão
A ampliação do setor brasileiro ocorre em um cenário de crescimento internacional dos insumos biológicos. A DunhamTrimmer estima que o mercado mundial do segmento avance cerca de 10% entre 2025 e 2030, alcançando aproximadamente US$ 25 bilhões ao fim da década.
Na América Latina, a expansão projetada é ainda maior, próxima de 14%, com o Brasil ocupando posição de destaque por causa do tamanho de sua produção agropecuária e da crescente utilização de tecnologias biológicas nas lavouras.
Para a Abinbio, o Profert também amplia o conceito de segurança no fornecimento de insumos agrícolas. Além dos fertilizantes minerais, tecnologias biológicas passam a ser reconhecidas como parte estratégica da estrutura necessária para sustentar a produção agropecuária brasileira.
O movimento acompanha a procura dos produtores por alternativas capazes de complementar ou substituir parcialmente insumos convencionais, especialmente diante da busca por maior eficiência produtiva, sustentabilidade e redução da dependência externa.
Relatora da proposta no Senado, a senadora Tereza Cristina destacou que o fortalecimento da produção interna possui reflexos que vão além do agronegócio.
“A redução dessa dependência é relevante não apenas para a política agrícola, mas também para a segurança alimentar e nutricional, a estabilidade econômica e a resiliência das cadeias de abastecimento do agronegócio brasileiro”, afirmou.
Com a inclusão dos bioinsumos, o Profert deixa de atuar exclusivamente como instrumento de incentivo à fabricação de fertilizantes convencionais e passa a abranger uma cadeia considerada estratégica para a inovação no campo.
Para representantes do setor, o programa poderá fortalecer empresas brasileiras, ampliar a capacidade tecnológica instalada no país e reduzir a vulnerabilidade do agronegócio às oscilações do mercado internacional de insumos.










