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Sem caixa, frigorífico em recuperação judicial inicia demissões em Sidrolândia

A Balbinos Agroindustrial iniciou o desligamento de funcionários em Sidrolândia, a 71 quilômetros de Campo Grande, em meio à paralisação das atividades e ao processo de recuperação judicial provocado por uma dívida de R$ 120,8 milhões.

Os procedimentos de demissão começaram na sexta-feira (14), quando trabalhadores procuraram o setor de Recursos Humanos da unidade. A empresa atribuiu os cortes à falta de recursos financeiros, mas não detalhou quantos dos aproximadamente 350 empregados serão dispensados.

Segundo a Balbinos, o frigorífico vinha mantendo cerca de 350 trabalhadores mesmo sem produção regular, mas chegou a um ponto em que não conseguiu mais sustentar a folha de pagamento. Em comunicado, a empresa afirmou ter atingido o limite de sua capacidade financeira.

A companhia também relacionou a crise à falta de capital de giro para financiar a compra de gado e viabilizar a retomada dos abates. Conforme a empresa, houve tentativas de preservar os postos de trabalho enquanto havia condições financeiras para isso.

Os problemas se agravaram ainda em 2025. Entre 17 e 28 de outubro, cinco pecuaristas recorreram à Justiça para cobrar mais de R$ 2 milhões referentes à venda de bovinos ao frigorífico. Na época, a empresa suspendeu as atividades e colocou funcionários em férias coletivas.

Pouco depois, a Balbinos entrou com pedido de recuperação judicial para reorganizar suas dívidas. No processo, declarou passivo de R$ 120.849.519,51.

Do total, aproximadamente R$ 107,6 milhões correspondiam a débitos inscritos na Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), principalmente obrigações relacionadas ao Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural). Na documentação, a companhia informou ainda que gerava 350 empregos diretos e cerca de 250 indiretos.

A recuperação judicial foi autorizada pela Justiça em dezembro de 2025. O plano apresentado posteriormente prevê o pagamento de 30% das dívidas, com carência de dois anos e prazo de até 15 anos para a quitação. A proposta, porém, depende da manutenção das atividades e da capacidade de geração de receita.

Os demonstrativos financeiros apresentados no processo já indicavam o agravamento da situação. O caixa da empresa, que somava R$ 107,7 mil no fim de outubro, chegou a zero em 31 de dezembro de 2025.

A Balbinos encerrou o ano passado com prejuízo acumulado de R$ 47,7 milhões e voltou a apresentar resultado negativo em janeiro.

Patrimônio é questionado

O processo de recuperação judicial também passou a ser questionado por credores em relação ao patrimônio declarado pela empresa.

Meses antes de informar a dívida milionária, o capital social da Balbinos passou de R$ 600 mil para R$ 30,6 milhões. Desse acréscimo, R$ 30 milhões constavam no balanço de setembro de 2025 como valor ainda a ser integralizado pelo sócio José Márcio Fedes.

Credores solicitaram documentos que comprovassem a entrada dos recursos na empresa. Um deles chegou a levantar suspeita sobre a composição do patrimônio apresentada no processo.

As alegações também foram encaminhadas ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), a partir de questionamentos feitos por um pecuarista que possui crédito de aproximadamente R$ 1,8 milhão junto ao frigorífico.

Em junho deste ano, quando a unidade voltou a permanecer paralisada, a manutenção dos aproximadamente 350 empregos já era considerada incerta. Na ocasião, a empresa alegava dificuldades para acessar recebíveis utilizados no financiamento da compra de gado e de outras despesas necessárias para retomar a produção.

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