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Congregação Servidoras da Palavra inspira vocações em São Gabriel do Oeste

Em um bate-papo repleto de emoção e espiritualidade, a Rádio FM 94.9 Difusora recebeu na manhã desta semana as irmãs Hilária e Maria Rita, da Congregação Servidoras da Palavra. A ocasião foi marcada pela visita da Irmã Maria Rita à cidade, onde ela vive uma experiência vocacional, e pela oportunidade de compartilhar uma mensagem que, segundo as religiosas, pode tocar o coração de jovens e famílias.

A Irmã Hilária, que está há 15 anos na congregação e há 9 anos no Brasil, abriu a conversa contando a origem da instituição. Tudo começou no México, idealizada por um padre italiano da Sicília que, inicialmente, desejava apenas oferecer formação bíblica para jovens. Guiado pelo Espírito Santo, ele acabou fundando a obra, que hoje está presente em 21 países. A congregação atua no Brasil há quase 16 anos, com trabalhos em São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul — incluindo São Gabriel do Oeste.

A Irmã Maria Rita, de apenas 18 anos, vive sua primeira experiência vocacional. Ela conta que tudo começou quando as irmãs visitaram sua paróquia e a convidaram para um retiro. “Desde criança, eu tinha um desejo forte de que todas as pessoas pudessem conhecer a Deus”, revelou. Ao descobrir que o trabalho da congregação é justamente levar a palavra divina a todos, ela sentiu que havia encontrado seu lugar.

Natural de Cancun, no México, a Irmã Hilária contou que sua vocação foi percebida primeiro por seu pároco. Inicialmente, ela resistiu: não queria ser freira. Aceitou fazer uma experiência temporária, com a garantia de que poderia voltar atrás. A grande dificuldade, porém, veio da família, especialmente da mãe, que não entendia por que ela abriria mão de trabalho, planos e sonhos comuns.

Foi então que uma frase do padre fundador lhe deu força: “Desobedece teus pais para obedecer a Deus, pois é o mesmo Deus que eles adoram”. Ela explica que se trata de uma “desobediência com sentido e perdão”, porque é, na verdade, obediência a algo maior. Hoje, ela se diz feliz e realizada, embora admita: “No início, chorei, reclamei e disse que não queria nada disso. Até entender que não há como dizer ‘não’ ao chamado de Deus.”

A Irmã Maria Rita também abriu o coração sobre as dificuldades enfrentadas. Sua mãe ficou muito abalada com a ideia de a filha sair de casa e deixar o emprego. Já seu pai, embora apoiasse, tinha muito medo e até brincou que compraria um barco para ela evangelizar na Amazônia. O maior obstáculo, porém, foi o término de um namoro: o rapaz não aceitou seu desejo vocacional, e o relacionamento chegou ao fim.

Ela começou sua formação em 2025, ficou três meses, depois se afastou. Mas sentiu que precisava voltar — e já está há quase seis meses vivendo essa realidade.

As irmãs explicaram que a experiência vocacional dura cerca de um ano e meio e é indicada principalmente para jovens que acabaram de concluir o Ensino Médio. O objetivo principal, destacaram, não é formar religiosos, mas preparar o jovem para a vida. Muitos passam por esse período antes do vestibular e voltam para a faculdade, o trabalho ou o casamento com valores mais firmes e maior capacidade de resistir a ideologias ou costumes que afastam da fé e da família.

A Irmã Hilária fez um alerta: “Infelizmente, muitos ambientes universitários hoje trazem costumes ruins, afastam as pessoas de Deus e da família.” Por isso, ela defende que a preparação prévia é essencial. Quem passa por essa experiência, segundo ela, volta para a sociedade como um cidadão melhor, um profissional ético e um futuro pai ou mãe de família estruturado.

O trabalho da congregação na cidade já rende frutos. Muitos jovens participam de cursos bíblicos e encontros, e vários já demonstraram interesse em viver a experiência. O objetivo da Irmã Maria Rita agora é claro: ser testemunha do amor de Deus para outras jovens, em um mundo que carece de bons exemplos.

Para quem se interessou, o caminho é simples: primeiro, participar dos cursos bíblicos oferecidos na paróquia ou pela congregação. Depois, vêm encontros e retiros vocacionais, onde se decide sobre a experiência. A casa de formação fica no Paraná. As irmãs fazem questão de ressaltar: não é preciso querer ser religioso. Basta ter vontade de viver uma experiência forte com a palavra de Deus, que transforma e prepara para a vida.

Ao final da entrevista, as religiosas agradeceram o espaço e deixaram uma mensagem: “É através da palavra de Deus que vidas e famílias mudam. Que essa mensagem possa chegar a todos os corações.”

Tony Franco

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