A máquina do agronegócio não para no norte de Mato Grosso do Sul. Enquanto as colheitadeiras avançam nos campos de soja da safra 2025/2026, os agricultores já preparam o solo para a próxima aposta: o milho segunda safra. Em São Gabriel do Oeste e municípios vizinhos, o ritmo é intenso para aproveitar a janela ideal de plantio.
De acordo com o boletim mais recente do Projeto SIGA-MS, divulgado nesta terça-feira (3) pela Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja/MS), a colheita da oleaginosa na região norte atingiu 24,7% da área acompanhada. O número, ainda inicial, coloca a região em compasso de espera em relação à média estadual, que já colheu 43,9% dos pouco mais de 2,1 milhões de hectares cultivados em Mato Grosso do Sul.
O levantamento, que monitora 11 municípios da região — incluindo Sonora, Coxim, Rio Verde de Mato Grosso, Camapuã e Bandeirantes —, traça um panorama majoritariamente positivo para as lavouras. Mesmo com os desafios típicos do solo de textura arenosa e os períodos de estiagem, 86,3% das plantações de soja são classificadas como “boas” pelos técnicos.
No entanto, o caminho não foi completamente livre de obstáculos. Cerca de 7% das lavouras da região enfrentam problemas, reflexo direto da combinação de veranicos, altas temperaturas e a incidência de pragas, que exigiram atenção redobrada dos produtores. “Depois de um dezembro promissor, com mais de 75% das lavouras em boas condições, o estresse hídrico de janeiro e fevereiro pesou em algumas áreas, especialmente no sul do estado”, detalha o boletim da Aprosoja.
Enquanto a soja sai do campo, o milho entra em cena. Na região norte, o plantio da segunda safra já cobre 42,9% da área projetada, um índice que acompanha de perto o ritmo estadual, que está em 45,8% — o equivalente a mais de 1 milhão de hectares semeados em todo o Mato Grosso do Sul.
Apesar do avanço consistente no norte, quem lidera o ranking de plantio é a região sul do estado, com 48% da área já implantada. A região centro aparece logo atrás, com 39,8%. A corrida agora é contra o calendário para garantir que o milho encontre as condições climáticas ideais para seu desenvolvimento, em um ano em que a meteorologia já mostrou que pode ser imprevisível.
Tony Franco











