Bioinsumos desenvolvidos pela Embrapa estão disponíveis para empresas interessadas em firmar parcerias voltadas à produção de bioestimulantes e agentes biológicos aplicáveis às culturas de alface e alho. Os ativos FosPHort Lev e FosPHort Mix, destinados à alface, atuam como indutores de crescimento, enquanto os ativos BioSeto20 e BioSeto21, voltados ao alho, têm foco no controle de doenças fúngicas. Ensaios realizados em casas de vegetação apresentaram resultados altamente positivos.
Indução de crescimento em alface
No caso do FosPHort Lev, observou-se incremento médio de 15% a 30% na rodução de biomassa fresca da alface e de outras hortaliças de ciclo curto, além da redução de até 40% na necessidade de adubação fosfatada mineral. Essa economia impacta diretamente a diminuição dos custos de produção e das emissões de gases de efeito estufa, associadas à extração e transporte de fosfatos minerais.
Entre os benefícios adicionais estão o aumento da sustentabilidade dos sistemas agrícolas, a redução do risco de contaminação hídrica por fósforo e o fortalecimento da agricultura familiar, na medida em que possibilita uma solução acessível, de baixo custo e com potencial de produção descentralizada.
O FosPHort Mix é um bioinsumo composto por um mix de leveduras e bactérias que atuam na solubilização do fósforo presente no solo e na promoção do crescimento vegetal. Testes iniciais demonstraram melhor aproveitamento do fósforo, maior desenvolvimento radicular, incremento da biomassa fresca e redução da necessidade de fertilização mineral.
Diante das preocupações crescentes relacionadas ao uso excessivo de fertilizantes minerais — tanto pelos impactos ambientais quanto pela baixa eficiência de absorção pelas plantas —, o FosPHort Mix se destaca por tornar o fósforo absorvido no solo mais disponível para a planta, aumentando a eficiência nutricional das culturas.
Controle da raiz rosada no alho
O alho também integra a lista de culturas contempladas com bioinsumos disponíveis para parcerias com a Embrapa. Nesse contexto, dois ativos se destacam no controle eficaz da raiz rosada (Setophoma terrestris), doença fúngica que afeta a cultura: o BioSeto20, produzido à base de leveduras, e o BioSeto21, que promove aumento da massa seca das raízes, maior altura e redução da severidade da doença.
Do ponto de vista social e ambiental, os bioinsumos igualmente representam uma alternativa de baixo custo para agricultores familiares, contribuindo para a transição para sistemas produtivos de base biológica, o fortalecimento da segurança alimentar e a sustentabilidade ambiental.
Em ensaios controlados, o uso dos bioinsumos reduziu a severidade da doença e estimulou o desenvolvimento das plantas, entregando uma solução promissora para o manejo de patógenos de solo e para o fortalecimento da agricultura de base biológica no Brasil, capaz de garantir sistemas de produção mais resilientes diante de variações de solo e altas temperaturas.
Outra vantagem é que, por se tratar de um produto natural, é de fácil obtenção, estável e sustentável, cuja produção pode ser realizada com substratos naturais e processos de baixo impacto ambiental, diferentemente de insumos sintéticos produzidos industrialmente, que geram resíduos.
Do laboratório ao campo: validação e escalonamento
De acordo com a pesquisadora Mariana Fontenelle, coordenadora do desenvolvimento dos quatro bioinsumos, o trabalho utilizou a escala de Nível de Maturidade Tecnológica (TRL/MRL), metodologia que permite acompanhar ativos tecnológicos desde a pesquisa até a validação.
Sobre a ampliação dos testes para outras hortaliças, Fontenelle explica que, neste momento, o foco permanece em alface e alho, mas há abertura para futuras expansões. “À medida que os ativos atualmente em desenvolvimento alcancem um nível operacional de maturidade, a ideia é buscar novos ativos, adaptando-os ou selecionando cepas mais adequadas para outras hortaliças”, afirma.
Esse cenário é reforçado pela analista Lenita Haber, da área de Transferência de Tecnologia, que destaca o esforço da Embrapa em identificar parcerias com empresas para o escalonamento necessário à produção comercial dos bioinsumos. “Paralelamente ao escalonamento, avançamos na produção, manutenção e validação do material em campo, o que permitirá a obtenção de volumes maiores do produto”, anota Haber. “A tendência é avançarmos com alternativas baseadas em soluções sustentáveis”, conclui.











